Análise 1: A Viagem do Elefante, de Saramago
O romance foi escrito em 2008 por
José Saramago, após se recuperar de doença que o fez temer por sua vida.
Segundo o próprio autor, é um livro onde sua capacidade inventiva está mais
clara. “É um livro de imaginação constante, para manter desperta a atenção do
leitor com algo que historicamente seria insuficiente, tem que inventar algo”,
declarou. A obra pode ser interpretada como metáfora da vida humana.
SINOPSE
‘A viagem do elefante’ é uma
ideia que Saramago elaborava desde que, numa viagem a Salzburgo, na Áustria,
entrou por acaso num restaurante chamado ‘O Elefante’. A narrativa se baseia na
viagem de um elefante chamado Salomão, que no século XVI cruzou metade da
Europa, de Lisboa a Viena, por extravagâncias de um rei e um arquiduque. Dom
João III, rei de Portugal e Algarves, casado com dona Catarina d’Áustria,
resolveu oferecer ao arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador
Carlos V, nada menos que um elefante. Esse fato histórico é o ponto de partida
para José Saramago criar uma ficção em que se encontram pelos caminhos da
Europa personagens reais de sangue azul, chefes de exército que quase vão às
vias de fato e padres que querem exorcizar Salomão ou lhe pedir um milagre.
HISTÓRIA
O elefante Solimão pertencia ao
império português. O animal vivia em Lisboa, aos cuidados de Subhro, o cornaca
(condutor de elefantes). A viagem do elefante tem início quando o rei de
Portugal, D. João III, precisava com urgência de uma presente de casamento para
o herdeiro do trono dos Habsburgo, arquiduque austríaco Maximiliano II. Daí ele
lembra de ter recebido um elefante indiano uns anos antes, que para ele já não
tinha utilidade.
Nessa nova etapa, Solimão e
Subhro terão as identidades mudadas. O elefante passa por uma boa lavagem e
recebe novas roupas. Ele e seu condutor terão os nomes alterados. A mudança de
identidade não os agrada. Passam a se chamar Salomão e Fritz. Fritz é um nome
comum na Áustria, mas será o único com um elefante.
O cornaca tem grande carinho pelo
elefante. Os dois viajam pela Europa de Lisboa a Espanha, de barco para Génova
e atravessam as apertadas passagens dos Alpes no Inverno para chegar a Viena. A
partir de então, o narrador passará a contar a história da longa viagem empreendida
por Salomão e Fritz, primeiramente de Portugal a Espanha, onde se detinha a
comitiva de Maximiliano II, e de Espanha a Áustria, incluindo-se aí uma
perigosa viagem marítima pelo Mediterrâneo e uma quase suicida travessia dos
Alpes.
CARACTERÍSTICAS
“A Viagem do Elefante” aparenta
uma simplicidade e uma linearidade que parecem destoar da obra do autor. A
história serve apenas como pano de fundo para que José Saramago exercite seu
mais fino humor e sua mordaz ironia à burocracia de Estado e à corrupção intrínseca
dos indivíduos.
Assim, não foi casual a escolha
de um elefante como personagem central do livro. É Solimão (ou Salomão) que
move a burocracia de um Estado inoperante, muito mais preocupado com sua
perpetuação e imagem, do que com sua eficiência junto às necessidades de seu
povo, e é em torno e em função dele que se destacará toda uma comitiva e para
qual se contratarão funcionários que possam suprir suas necessidades
particulares e tornar possível e segura sua viagem.
Solimão é, desta feita, o próprio
Estado, cuja ineficácia burocrática José Saramago discutiu em livros como
“Todos os Nomes” e “Ensaio sobre a Lucidez”, dentre outros. Subhro (ou Fritz),
o cornaca, por sua vez, constitui-se como personagem complexo: indiano de
origem, emigrou para Portugal acompanhando Solimão, a quem trata, treina e
guia.
Apesar de servir a seu soberano,
seja este o rei português ou o arquiduque austríaco, é dado a arroubos de
autonomia, e chega a contestar e ironizar seus superiores hierárquicos.
Sabendo-se fundamental aos interesses do seu governo, considerando ser o único
a conhecer as manhas e artimanhas de Solimão, Subhro emite suas opiniões
próprias e, em nome do bem-estar do elefante (e, consecutivamente, dos
interesses de Estado), chega a impor condições para a viagem.
Entretanto, como todo ser humano,
deixa-se levar também por seus interesses próprios e, sempre que pode, usa do
Estado (no caso, Solimão) para obter lucros e benefícios pessoais, como no
episódio em que passa a vender pelos do animal a uma população crédula depois
de ter usado o paquiderme para forjar um milagre – uma clara referência ao
momento em que a história é ambientada, quando na
Europa eclodiram os movimentos da Reforma Protestante e da Contra-Reforma Católica.
Europa eclodiram os movimentos da Reforma Protestante e da Contra-Reforma Católica.
PARTES DO LIVRO
Primeira: Início da viagem,
quando o rei de Portugal resolve se desfazer do elefante que já não lhe tinha
utilidade e estava sujo e abandonado. Como pretexto, aproveita para dá-lo como
presente de casamento ao arquiduque da Áustria. Além de se livrar dos gastos
com o paquiderme o monarca aproveita a oportunidade para dar um presente
exuberante.
Segunda: O arquiduque aceita o
presente. Agora eles precisam tomar as providências para o transporte do
elefante, que seguirá acompanhado do cornaca, Subhro.
Terceira: A viagem é iniciada.
Parte a comitiva formada por Subhro, dois ajudantes, homens do abastecimento,
carro de bois com água, pelotão de cavalaria, carro da intendência puxado por
mulas. A viagem é vagarosa pois dependem do ritmo dos bois e precisam aguardar
os longos banhos do elefante. Subhro, que entende do cuidado com os animais,
precisa expor suas ideias, mas com cuidado para não desrespeitar a autoridade
do comandante. O cornaca sugere que consigam, de algum proprietários das
redondezas, mais uma junta de bois para acelerar a viagem.
Quarta: Nessa parte eles irão
colocar em prática a ideia do. Eles encontram uma propriedade de um conde, em
uma aldeia.
Quinta: Eles passam por um
temporal, inesperado na época de verão. Agora, terão que se abrigar nas
aldeias. Em uma delas, é discutido ao redor de uma fogueira aspectos das
religiões. É contada a história do deus com cabeça de elefante – Ganesha. Os
aldeãos começaram a acreditar que o elefante era um deus. Eles trataram de
informar o padre local. Pela manhã, foi feito um exorcismo em Salomão. Ao final
dessa parte um nevoeiro toma conta do local, trazendo transtornos para alguns
ajudantes que se perdem.
Sexta: O comandante expressa
saudades da família. Será o gancho que o autor terá para acrescentar nessas
lembranças as aventuras literárias do Amadis de Gaula (novela de cavalaria). Os
viajantes não passarão por Castela. Prevenidos, eles vão até Castelo Rodrigo,
seguindo orientações de carta enviada ao arquiduque. Ela indicava que uma força
militar espanhola ou austríaca estaria no local a espera deles.
Sétima: A caravana portuguesa
chega antes dos espanhóis e austríacos em Castelo Rodrigo.
Oitava e nona: O destaque é para
a expectativa dos portugueses pela chegada da suposta tropa inimiga. Ao
chegarem os austríacos querem levar o elefante. O comandante aceita somente se
sua tropa puder ir junto até Valladolid, para entregar o presente pessoalmente.
Décima: As duas tropas viajarão
juntas. A vontade do comandante austríaco era de levar o elefante sem a
companhia dos portugueses para ganhar o mérito sozinho.
Décima primeira: Acontece a
chegada a Valladolid. É ordenada a troca do nome do elefante e do cornaca, por
serem difíceis de pronunciar. A viagem continuará por territórios espanhóis e
italianos. No caminho acontece um suposto milagre do elefante. Ele teria se
ajoelhado diante da catedral de Pádua. Um milagre fabricado pelo cornaca, que
adestrava o animal. A etapa seguinte é enfrentar o desfiladeiro de Brunir e em
seguida viagem fluvial. Pelo caminho, Solimão era aplaudido, virando um
eficiente instrumento político. Outro “milagre” acontece na chegada a Viena. O
elefante salva uma menina de cinco anos. Ele evita que seja pisoteada por ele
mesmo, pegando-a com a tromba e devolvendo aos pais.
Décima segunda: A morte do
elefante é citada na abertura do capítulo. A causa é desconhecida. Após ser
esfolado, cortaram suas patas dianteiras que após a higienização foram servir
de recipiente para depositar bengalas e afins na porta do palácio. Subhro
recebeu generosa quantia em dinheiro do arquiduque e o usa para comprar uma
mula e burro. Ao comunicar a morte do animal aos reis de Portugal,
tratando o elefante como um herói, a rainha Catarina (que só pensava em se
livrar de Salomão) se tranca na sua câmara e chora o resto do dia.
OBS: VALE RESSALTAR QUE A ANÁLISE NÃO SUBSTITUI A LEITURA DA OBRA ELA APENAS SERVE COMO UM LEMBRETE APÓS A LEITURA.
FONTE: www.vestibularesdopara.com.br
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